Em Sessão Plenária nesta quinta-feira (27), o deputado Luizão Dona Trampi (União) afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro está sendo alvo de perseguição política e defendeu apoiadores do ex-mandatário. Segundo ele, Bolsonaro está enfrentando um tratamento injusto por parte das instituições.

“Tem horas que a gente tinha vontade de ser um terreno para não ouvir certas aberrações aqui”, disse o deputado. “Hoje a gente vê pessoas que não têm absolutamente moral nenhuma para falar de um homem de bem como o eterno presidente Bolsonaro.”

O deputado criticou a ação da Justiça ao transformar Bolsonaro em réu e negou que o ex-presidente tenha cometido atos de corrupção. “Ele virou réu porque desviou dinheiro quando foi presidente? Não. O Brasil inteiro sabe o motivo: perseguição política. Ele enfrentou o sistema, fechou as torneiras da corrupção e agora paga o preço.”

O parlamentar também criticou manifestações de movimentos de esquerda e comparou com os atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023. “Vimos esquerdistas do MST tocar fogo em ministérios, invadir o Senado, jogar carro, ferir mais de trinta e cinco policiais. Mas ninguém fala nada”, afirmou.

Ele ainda contestou as punições impostas a manifestantes presos após os atos de 8 de janeiro. “Querem agora julgar mulheres de bem, homens de bem. Uma senhora que estava com uma Bíblia na mão pega cadeia, uma senhora que usou um batom para fazer uma pichação em um monumento pega catorze anos de prisão, enquanto traficantes e corruptos são soltos.”

O deputado afirmou que Bolsonaro sofre represálias justamente por não ter se aliado a esquemas de corrupção. “Se ele fosse bandido e corrupto, não estava passando pelo que passa hoje. Mas podem ter certeza de que Deus vai agir na hora certa.”

Luizão Dona Trampi também defendeu que os julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro sejam justos e proporcionais. “Golpe? Golpe sem arma? Sem liderança? Sem as Forças Armadas? Golpe aconteceu lá atrás, quando esconderam o presidente Lula para disputar a eleição.”

Ao final do discurso, ele criticou setores da esquerda e mencionou a morte da vereadora Marielle Franco, alegando que seu assassinato teria sido explorado politicamente. “Subiram no caixão daquela coitada e fazem militância até hoje, tentando culpar Bolsonaro. Quando a verdade veio à tona, todos se calaram.”

O deputado ainda mencionou a pandemia e defendeu as ações de Bolsonaro. “No dia 11 de fevereiro de 2020, ele decretou estado de emergência e recomendaram que não houvesse Carnaval. Mas ignoraram e depois culparam Bolsonaro pela pandemia.”

Por fim, Luizão Dona Trampi exaltou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Ele está moralizando a América. Foi eleito no voto popular e está pacificando o mundo”, concluiu.

Pela Ordem

Linda Brasil

A deputada estadual Linda Brasil (Psol) fez um discurso em resposta ao deputado Luizão Dona Trampi, criticando a disseminação de fake news e a tentativa de desqualificação de sua atuação política.

“A gente não pode tolerar fake news e o que foi colocado aqui. Usar a tribuna da Assembleia Legislativa pra divulgar fake news e pra lacrar é inadmissível. A gente não pode admitir isso”, afirmou a deputada, destacando sua indignação com as informações falsas que, segundo ela, foram divulgadas durante a sessão.

Linda Brasil criticou parlamentares que, em sua opinião, utilizam o plenário para provocações vazias e ataques pessoais em vez de apresentarem projetos concretos para a população. “Infelizmente, alguns deputados bolsonaristas não têm projeto pro Estado, pro município. Só falam quando eu falo, quando eu peço alguma parte. Querem conflito para viralizar na internet. Depois que eu comento algo, principalmente em defesa da democracia, acusando um genocida e um criminoso, vêm me atacar e dizer que eu não tenho moral”, declarou.

A deputada rebateu as tentativas de desqualificação de sua trajetória política, especialmente quando seu passado como profissional do sexo é utilizado para atacá-la. “Quem é você pra dizer que eu não tenho moral? Eu tenho moral, sim, porque fui eleita democraticamente, sem enganar, sem fake news, com um projeto para minha cidade. Tenho orgulho da minha história e de estar aqui, enfrentando os privilégios, para defender a nossa democracia.”

Linda Brasil também destacou a importância da luta pelos direitos humanos e pela justiça social, reafirmando seu compromisso com a verdade e o combate à desinformação. “Nunca utilizei a mentira. A verdade é o que incomoda. Mas a gente não tem medo, não se intimida com gritaria de quem quer nos calar”, afirmou.

A deputada criticou ainda o uso da tribuna para distorcer fatos históricos, citando a ditadura militar e os recentes ataques à democracia. “Aberração não sou eu. Fui chamada assim desde pequena, mas aberração são aqueles que têm coragem de subir numa tribuna de uma instituição democrática para defender uma tentativa de golpe ao Estado Democrático de Direito. Em 1964, não houve mortes no dia do golpe, mas depois houve tortura e assassinatos. Até hoje, os restos mortais de muitas vítimas não foram encontrados.”

A parlamentar encerrou seu discurso reforçando seu compromisso com a democracia e a justiça social. “Eu sei muito bem o que estou fazendo. Tudo o que trago aqui é com propriedade. Eu luto pelos direitos humanos, pela igualdade e justiça social. Se isso significa ser esquerdista ou comunista, que seja. Mas jamais aceitarei ser desqualificada por quem não tem moral para questionar minha atuação política”, concluiu.

Foto: Joel Luiz| Agência de Notícias Alese