O ex-presidente Jair Bolsonaro conversou com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), para que ele convença parlamentares seu partido, o Republicanos, a votarem pela anistia aos envolvidos no 8/1.

Os dois se encontraram no Rio de Janeiro no domingo (16), no ato pela aprovação do projeto, quando então trataram do assunto.

Bolsonaro tentava articular o apoio diretamente com o presidente do partido, Marcos Pereira (Republicanos-SP). Mas o deputado tem mostrado resistência à ideia e vinha adiando até mesmo um encontro com o ex-presidente.

Bolsonaro tem afirmado não entender como Pereira, que é pastor evangélico, não se sensibiliza com a causa, que em suas palavras seria “humanitária”.

Tarcísio, que é filiado à legenda, foi então escalado para a missão de pressionar Pereira a apoiar o projeto e angariar votos de parlamentares republicanos para ajudar em sua aprovação.

A coluna revelou na semana passada que o governo Lula recebeu a informação de que o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), já tem os apoio de 257 deputados, ou seja, da maioria simples da Câmara necessária à aprovação da anistia.

Numa contabilidade mais conservadora, os bolsonaristas acreditam que estão, sim, bem próximos da maioria. Mas consideram que ela ainda é muito apertada para garantir que, mesmo com traições de última hora, a proposta seja aprovada.

A meta, então, é chegar a 280 deputados —para isso, é necessário cabalar votos no Republicanos de Pereira e Tarcísio.

O apoio seria hoje ainda mais necessário, já que Sóstenes pretende subir até mais a meta: ele quer alcançar 308 votos, quórum para a aprovação de uma emenda constitucional.

Assim, se mais à frente o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar a anistia, ele poderia tentar a aprovação de uma alteração na Constituição.

Procurado, Marcos Pereira retornou à ligação da Folha.

O projeto, se aprovado, beneficiará o ex-presidente, já que prevê a anistia para pessoas direta ou indiretamente envolvidas no 8/1 e também por atos anteriores _onde Bolsonaro, acusado de tramar um golpe de Estado, se enquadraria.

Foto: Francisco Cepeda/Arquivo/GOVSP